Passa Montanhas em Crochet

Na serra do Montejunto faz frio. Tanto frio que os gorros e as luvas foram das primeiras coisas a ficar operacionais depois da mudança. Mas a Sofia não tinha assim tantos e nós no meio da confusão vamos deixando coisas um pouco por todo o lado: em casa de uns avós, em casa de outros, nas mochilas na escola, coisas que ficam no meu carro, coisas que ficam no carro do pai…E a pretexto de agora ter mais espaço em casa, a minha mãe (e mais tarde a minha sogra) presentearam-me com os seus restos de lã.

Isto para dizer que resolvi fazer um Passa Montanhas para a Sofia. Ainda namorei uns modelos na Internet mas achei que havia de conseguir chegar lá sozinha, e consegui!

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Os ganchos são complementos. Estavam no cabelo antes de lhe por o Passa Montanhas!

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Usei uma lã grossa com uma agulha de 8mm e trabalhei sempre em ponto baixo.

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Este Passa Montanhas é mesmo muito fácil de fazer. Podes variar o ponto de crochet e escolher o que gostas mais de ver. Quanto mais fechado for o ponto mais quente fica! Depois faz um retangulo onde o lado maior é a largura à volta dos ombros e o lado menor é a altura dos ombros até à testa.

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Quando a tua peça tiver as medidas certas, dobra ao meio. A parte sem costura corresponde à parte de trás.

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Agora é só coser um dos topos e coser um pouco da parte da frente para fazer o pescoço. Podes também fazer mais uma ou duas carreiras à volta da abertura da cara, para acentuar e rematar.

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E é mesmo assim tão simples!

Crochet Moderno

O Croché foi das poucas coisas que a minha avó teve paciência para me ensinar e o que sempre gostei no crochet foi o conseguir perceber a cada momento o que tinha de fazer para obter determinado resultado.

Sempre achei que era versátil e facilmente ajustável a cada necessidade, para além de ser muito rápido e poder ser feito tanto com lã como com linha, e até com outros materiais como as fitas de tecido, os plásticos e afins.

Mas durante muito anos o crochet foi para mim mantas de lã e naperons para todas as divisões da casa, da cozinha ao quarto, passando por todos os móveis, mesas e mesinhas que ficassem pelo caminho. Em casa dos meus pais os naperons era mudados religiosamente todas as 6ª feiras, tal como os lençóis das camas!

E a minha avó tinha sempre um trabalho de crochet no saco, que fazia nas horas de ócio em que se permitia sentar em frente à televisão. Por causa dela tenho um saco cheio de naperons, em conjuntos muito aprimorados e cuidadosamente estudados para cada divisão, que nunca uso mas que sou totalmente incapaz de me desfazer deles.

Mas nos nossos dias o crochet é mais do que isso, e é nesta descoberta que eu tenho andado entretida desde o inicio do ano.

Estas fotos foram tiradas em Constância em Maio deste ano e deixaram-me rendida ao encanto da cor. A iniciativa parte de um projeto social de combate à solidão e o trabalho foi feito por quem se quis juntar à iniciativa.

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E sabes que mais? Adorava ter um barco “vestido” assim! E fiquei totalmente rendida às cores e a este novo crochet. Afinal há mais no crochet do que naperons!

Saia em Crochet

Na mitologia grega a Penélope era a mulher do Ulisses que foi para a guerra de Tróia e esteve ausente 20 anos. Como a ausência de Ulisses se prolongava, o pai de penélope deu-o como morto e quis que a filha voltasse a casar contudo a Penélope acreditava que Ulisses voltaria, e encontrou uma maneira de simultâneamente satisfazer o seu interesse e o do seu pai. Penélope combinou com o Pai que só voltaria a casar quando terminasse de tecer um sudário para oferecer ao pai de Ulisses, e para prolongar ao máximo o seu tempo Penélope tecia durante o dia aos olhos de todos, e desmanchava o que tinha feito durante a noite!

Às vezes tenho trabalhos que me fazem lembrar a Penélope e a sua manta, que faço e desmancho, faço e desmancho, e que de tanto fazer e desfazer parece que levam toda a eternidade a ficarem feitos!

Como esta saia que me apaixonou assim que a vi numa revista italiana que me custou uma fortuna! Embora as lãs não sejam as mesmas o tamanho da agulha é o mesmo, o que deveria dar um acabamento semelhante. Mas qual quê!

Segui as instruções até me fartar de desmanchar e resolvi fazê-la a olho.

Há aqueles projetos que dão gozo acabar e depois há aqueles projetos que quando estão acabados nos fazem sentir mais leves e levemente aliviadas.

Foi desde o inicio um desafio e só a certeza de que ia valer a pena ver o resultado final me fez continuar. Desmachei e recomecei tantas vezes que lhe perdi a conta e várias vezes foi dada como pronta, mas depois houve sempre qualquer coisa que me fez voltar atrás e refazer. Acabou por não correr muito mal, afinal de contas foi feita em pouco mais de 6 meses!

Para agora ainda está um bocadinho grande mas é uma saia de verão e até lá estou mais do que certa que a Mafalda cresce o suficiente para a saia lhe servir na perfeição.

Não me sobrou vontade de fazer outra para a Teresa até porque adaptar novamente as medidas para uma saia mais pequena ia ser outro desafio, e de qualquer forma será inevitável que a Teresa quando chegar à idade da Mafalda acabe por a vestir também! Em vez disso resolvi aproveitar o algodão que sobrou para outro projeto de verão que tenho a certeza que vai fazer as delicias das pequenotas da familia. Mas isso é para outro dia!