7 anos de Mafalda

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Se há coisa que vais aprender é que a vida não pára. Nem sequer por um minuto, nem sequer por um segundo para poderes recuperar o fôlego e tirares uma boa fotografia mental do momento.

Um dia hás de tropeçar nestas minhas palavras para ti e hás de achar tudo isto feito de lugares comuns.

Um dia hás de ter crescido o suficiente, vivido o suficiente, e amado o suficiente para conseguires, finalmente, entender que os lugares comuns são tão bons para expressar tudo aquilo que não conseguimos expressar com outras palavras.

E hoje fazes 7 anos! Acho que estás orgulhosa de ti. Nessa tua ânsia de seres crescida, estás agora um ano mais perto do teu objetivo. E não há quem te convença que o melhor do mundo é ser assim, como tu és agora. Crescer é inevitável, sei-o bem, tão bem como sei que a infância é curta, por isso quero que a vivas ao máximo. Faltam 5 anos para entrares na adolescência, e sim estou em contagem decrescente, porque vê minha filha, já passaram 7 desde que nasceste e eu nem dei bem pelo tempo passar, por isso acredito que antes que eu me consiga preparar para isso, tu serás uma mulherzinha. Mas tu estás deserta de lá chegar e eu quero que lá chegues com tudo o que precisas para lhe sobreviveres.

És como um cavalo selvagem, não vale nunca a pena fazer-te frente, mas o teu coração é enorme e não resiste a um pedido de ajuda, por isso muitas vezes as tuas “obrigações” são transformadas em “ajudas” para que as cumpras de bom grado e sem te sentires contrariada. Sim, em 7 anos aprendi tanto (ou mais) do que te ensinei! Mas continuo a fazer-te frente porque, bem…, esse é o meu papel de mãe!

És a rainha da festa, continuas a gostar de mandar e onde quer que vás entras em grande estilo. Sempre que entras na tua nova escola gritas um fantástico e contagiante bom dia, é impossível não te sorrir. É por isso que és magnética e com o tempo vais reparar no quão fascinante és para algumas pessoas. Mas hás também de aprender que existe um outro lado da medalha. Mais tarde, espero eu.

És vaidosa e segura de ti. Eu, como sempre me senti como o patinho feio, prefiro que assim sejas. Espero que consigas manter essa tua auto-estima. Ser-te-à muito útil ao longo da tua vida.

Tens uma capacidade de te adaptar a novas situações que me surpreende sempre, e esta nova escola e estes novos amigos fizeram-te muito bem. Foste para um meio mais pequeno mas cresceste muito, perdeste grande parte das tuas infantilidades e, surpreendentemente, os teus horizontes alargaram-se.

Descobriste que adoras cavalos, e agora queres uma quinta onde possamos tê-los. Continuas a gostar de te vestir de forma “fashion” e de usar as minhas e as tuas maquilhagens, mas deixaste de parecer tão presa a essa ideia. As tuas brincadeiras continuam a ser imitações da sala de aula, ou de pais e mães que deixam os filhos na escola.

Estás a descobrir que gostas de fotografia e o teu avô não podia ter ficado mais feliz. Esta é mais uma forma de arte que te seduz, a juntar ao desenho, à pintura, às colagens e a todos os outros trabalhos que gostas de fazer.

Continuas a ser uma excelente irmã e, claro, tens os normais momentos de birras com elas, mas tudo isso faz parte.

E já tens outro tipo de conversas, já sabes formalizar uma opinião, já consegues ter conversas sérias, e sempre que algo te preocupa ou te incomoda não hesitas em vir ter comigo e conversar. Aos poucos estás a interiorizar o teu mundo e a construir as tuas verdades, e não vale a pena eu dizer-te o contrário: às vezes é doloroso e difícil, mas faz parte.

Continuas a querer ver-me sorrir e por isso várias vezes me dizes para sorrir. Só mesmo tu para quebrar a mecânica da rotina!

Continuas a não ser muito simpatizante com cães e se eles te aparecem à frente sem estares à espera descontrolas-te e gritas como se te estivesse a atacar. Também detestas o escuro.

Adoras as tuas gatas e elas retribuem-te.

Ainda és a minha Maria Bolacha, e isso não vai mudar nunca.

Parabéns minha filha, para ti o mundo.

Fada dos Dentes #2

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A fada dos dentes fez mais uma visita! Há quase um ano que não lhe caía um dente e este fim de semana obrigou-me a arrancar o dente que estava a abanar! Não me consigo habituar à ideia de arrancar dentes mas esta miúda não descansa enquanto não se vê livre dos dentes pendurados! O processo de arrancar o dente é mil vezes mais penoso para mim do que para ela, e logo eu que nunca arranquei um dente meu…

Por cá a fada dos dentes fica no parapeito da janela do quarto, e quando a Mafalda adormece a fada dos dentes ganha vida e tira o dente dela do pequeno saco de veludo, e no seu lugar deixa moedas, muitas moedas! Tantas moedas que ela acha mesmo que quando lhe tiverem caído os dentes todos vai estar rica!

Para nós, pais, a fada dos dentes é mais uma forma de lhe ensinarmos a importância do dinheiro, a importância de o poupar, e a importância de adiar a gratificação mas de uma forma simples, que ela entende. Por isso a nossa fada dos dentes não traz brinquedos, traz dinheiro que ela guarda religiosamente no porquinho mealheiro que tem.

Parte da nossa estratégia é também ter os mealheiro à vista delas, mas não tanto ao alcance, para que elas se lembrem dele e de vez em quando pedinchem umas moedas a nós, aos avós e a quem estiver por perto! Também acontece muitas vezes pegarem neles para verem se estão cheios e se falta muito para encherem!

Quando o mealheiro está cheio é obrigatório irem comigo ao banco, levam o mealheiro cheio e a chave e ajudam a entrega-lo ao senhor do banco, e é vê-las com cara de dever cumprido a saírem do banco com o mealheiro de novo pronto a ser cheio!

E sabem que o dinheiro fica ali, no banco, à espera que elas cresçam e dele precisem!

Ou como diz a minha Mafalda, quando o meu dinheiro acabar ela dá-me o dela!

6 Anos de Mafalda

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Venceste mais um ano e por isso estás de Parabéns. Foi um ano de muitas mudanças com os dentes a cairem e a escola a começar a sério. Pelo caminho ganhaste mais uma irmã mas abraçaste a mudança como abraças tudo o resto à tua volta: com confiança e determinação.

Continuas a mesma criança doce de sempre. Continuas a falar de mais, quando deves e quando não deves. Aliás a tua maior dificuldade na habituação às aulas está, precisamente, em manteres-te calada no decorrer das aulas. Estás mais curiosa em relação ao mundo exterior e ao que te rodeia e socializar é para ti tão natural como respirar.

Queres mais autonomia e por isso já vais tomando banho sozinha, sempre que não te apetece antes brincar na banheira! Também queres participar na rotina da casa e já vais ajudando a por a mesa e a arrumar a cozinha. Gostas particularmente de mexer nas coisas de louça e de vidro, para me provares que consegues não as partir.

Desenhar continua a ser o teu passatempo preferido e revejo-me tanto em ti quando vou dar contigo a cortar e colar tudo o que te aparece à frente, a tua obcessão por fita cola e envelopes, por papel de embrulho e fitas e genericamente por todos os materiais aos quais consigas deitar a mão é genética. Nisso sais a mim. Revejo-te em mim e a mim na minha avó. Ao pé de ti os meus materiais e as minhas coisas não estão seguras, mas é bom ver-te tão criativa e sempre com tanta vontade de testares novos materiais e novas ideias, ainda que tenha de fazer o meu papel de mãe.

E já que falamos no papel de mãe tenho que te dizer que continuas a desafiar tudo até ao limite. Testas e testas até mais não. Tens dias em que quase nos levas ao desespero com essa tua obstinação e teimosia, mas verdade seja dita, tens feito alguns progressos a entender que viver é também negociar, dar e receber, e lá te vais esforçando por controlar os teus impulsos e as tuas vontades.

Continuas a ter uma ligação brilhante com a tua irmã, agora mais velha, embora nem sempre te lembres que entre as duas existe uma diferença de idades que ainda é significativa. Esqueceste que ela nem sempre entende até onde queres ir e esqueceste também que, apesar de ser mais nova, também ela tem vontade e ideias próprias que quer concretizar. Ainda assim és ultra protectora e mesmo na escola, quando ela precisa, é a ti que chamam e eu fico descansada.

Tens uma consciencia de grupo e de familia que me deixa orgulhosa, porque é precisamente isso que eu quero que guardes para a vida: a familia é tudo o que temos e é tudo o que precisamos, tudo o resto é bem vindo, mas acessório. Mesmo aquela familia que não é de sangue mas que o coração acolheu. E isto já tu aprendeste. Contigo ninguém fica esquecido nem para trás.

Foi também este ano que percebeste que a forma como as pessoas estão à tua volta condiciona a forma como te sentes. Passaste por duas festas de finalistas particularmente emotivas e isso tocou-te de uma maneira que não julguei ser possivel. A primeira foi a do teu primo e expliquei-te que por vezes (não te quis assustar e dizer sempre) dizer adeus a quem gostamos faz doer muito. Muito mais do que cair ou bater com a cabeça. E que aquelas pessoas estavam a chorar porque tinham de dizer adeus e continuar o caminho delas. Já na tua festa de finalistas a coisa foi diferente. Não foi fácil aguentar as minhas lágrimas, até porque estar grávida não é um bom estabilizador de humor mesmo para quem não é dado a lamechiches. E podia até ter corrido bem se não tens vindo para o meu colo lavada em lágrimas, o que tornou impossivel a minha missão de segurar as minhas. E expliquei-te que não estava a chorar por estar triste mas antes por estar muito orgulhosa de ti, por ser bom ver-te crescer assim dessa forma, por já não seres bebé e por estares tão crescida que ias começar uma nova fase da tua vida e que isso era muito importante. E foi então que nos abraçamos, com muita força, e choramos as duas nesse abraço. E naquele instante não fomos mãe e filha, fomos só nós as duas no que verdadeiramente somos e crescemos mais um bocadinho juntas.

Este foi também o ano em que viste neve pela primeira vez e foi muito divertido. Como seria de esperar o teu maior espanto foi descobrires que a neve é molhada! Gostaste muito de atirar bolas de neve mas não gostaste de apanhar com elas e fizemos um boneco de neve que durou quase 3 dias à nossa porta.

És vaidosa e as calças são peças de roupa que não entram no teu guarda roupa. Desenvolveste também uma paixão pelas bonecas das Monster High, que só para te aborrecer te digo que são horrososas, mas que prefiro mil vezes do que as barbies. Talvez seja uma boa forma de te mostrar que nas pessoas o que interessa não é a parte bonita mas sim a feia, porque com o lado bom das pessoas é sempre fácil viver, mas deves sempre escolher quem acolhes pelo seu lado mais feio, porque só serás feliz se for suportável viver com esse lado feio, e o mais das vezes não é.

És a minha primeira filha por isso faremos juntas todas as descobertas do caminho em primeira mão. E passe o tempo que passar terei sempre o meu coração nas mãos por ti, porque embora estejas na minha vida à 6 anos, em ti todos os dias são uma novidade, e às vezes o desconhecido pode assustar.

Regresso às aulas

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Hoje começa uma nova fase. Para elas enquanto seres individuais que são, para nós enquanto pais, e para a família que em conjunto formamos.

A escola é a mesma mas dentro da escola mudam de lugar. A Teresa deixa a cresce e passa para o jardim de infância, coisa que a deixa muito orgulhosa e que serviu de mote para outras grandes mudanças por aqui. Mas disso falarei num outro dia. Parece ir com mais vontade e com menos medos, agora que está na escola da mana. Até já diz que tem um amorzinho, coisa que eu achei deliciosa e que deixou o pai de nervos em franja!

A Mafalda começa o 1º ano, está cheia de vontade de estudar os livros, de fazer trabalhos de casa e de aprender coisas novas. Nem ela sabe como o mundo dela vai mudar assim que ela souber ler e escrever! Tem novos amigos e uma professora com quem criou logo empatia.

Nós somos orgulhosos pais destas meninas que crescem aos nossos olhos mais depressa do que cogumelos no mato. E eu tenho tido dificuldade em aceitar que já passaram 6 anos desde que me vi a braços com a primeira gravidez e que a minha primogénita começa agora o seu percurso escolar. Já não tem nada de pequenina esta minha filha.

Calha bem estar de licença de maternidade porque consigo acompanhar melhor esta transição da Mafalda na escola. Tenho mais tempo para organizar as rotinas de todos e consigo arranjar uma janela de tempo para estar com elas quando a escola acaba.

E por aí? Também se regressa à escola?

Fada dos Dentes #1

Quando fez 5 anos começou-lhe a abanar o primeiro dente. Dois meses depois caiu, para grande contentamento dela, que agora ostenta orgulhosamente um espaço vazio onde antes tinha um pequeno dente. Mais orgulhosamente ainda porque o dente novo já começou a nascer, estava atrás do velho e não em baixo como seria de esperar. Por isso esta noite deixou o dente debaixo da almofada e quando acordou encontrou um saco cheio de moedas!

Durante estes dois meses preparei vagarosamente o lugar ideal para guardar os dentes dela e criar uma recordação a que ela mais tarde possa dar valor.

A primeira coisa que fiz foi uma fada de pano que vesti com as cores que ela me pediu, e que mais do que sair da minha imaginação, me saiu das mãos de improviso, sem plano nem molde. Depois fiz um cartão para registar o dia em que cada dente cai, da mesma forma que registei os dias em que cada dente nasceu.

E pareceu-me que o conjunto não estava completo e por isso fiz uma espécie de saco-cama para a pequena fada descansar enquanto espera pacientemente pelos outros dentes que hão de cair.

A Mafalda ainda só viu a fada e foi preciso muita ginástica para mantê-las separadas. Hoje vai ter uma grande surpresa! Está tão crescida a minha menina!

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E porque os primeiros dentes a cair são importantes para todos podes descarregar o cartão de registo do dentes de leite. E claro podes usar um para registar os dentes que nascem e os que mais tarde caem!

registo de dentes

5 Anos

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Passaram 5 anos e só me ocorre o lugar comum do “passou tão depressa”. A verdade é que me parece que foi ainda ontem que me vi envolvida no turbilhão de emoções que foi descobrir que estavas em mim. Primeiro tive muito medo, depois senti-me muito feliz e à medida que o tempo foi passando e a tua chegada se aproximava, o medo veio novamente de mansinho.

E foi assim que de madrugada fomos para o hospital e pode parecer estúpido mas durante todo o tempo senti que me “seguravas a mão”, senti que me dizias que ia correr tudo bem, senti que me acalmavas. E vieste ao mundo sem dor e de olhos bem abertos olhaste para mim sem nunca desviares o olhar, fixaste-os em mim e naquele momento todo o meu mundo mudou. Não tenho ideia de te ter ouvido chorar mas sei que o fizeste, embora só durante o tempo de chegares até mim, depois ficámos as duas em silencio enquanto as nossas almas conversavam.

Foste sempre um bebé dificil, fizeste-me muitas vezes sentir à beira do colapso e com isso mostraste-me até onde pode ir o amor de mãe e mostraste-me que no fundo ser mãe é ser elástica, é aguentar ainda um bocadinho mais quando pensamos que já não conseguimos ir mais longe.

Depois passou e tornaste-te num dos bebés mais amorosos do mundo. Quando tinhas um ano e te ia adormecer abrias os braços e fazias questão que eu deitasse a minha cabeça no teu ombro, como se me abraçasses e me quisesses tu proteger do mundo.

És uma alma velha, tenho dito muitas vezes, e tens-me ensinado tanto ou mais a mim do que eu a ti.

És segura e determinada, és senhora de ti, sabes o que queres e quando queres. Ignoras muitas vezes o que te digo embora me faças o favor de aceder gentilmente quando te repreendo ou te digo para não fazeres qualquer coisa. Muitas vezes desespero com isso mas sei que é isso que te vai proteger e te vai ajudar a percorreres o teu caminho. Como pessoa gosto que sejas assim, como mãe é muitas vezes dificil.

Ainda assim não és nem nunca foste criança de birras, por isso quando és contrariada nas tuas vontades ficas um bocadinho amuada, mas nem sempre, e é coisa para passar tão depressa como chegou. Raramente choras, o que para mim é um mistério e uma desconfiança de que herdaste o meu orgulho, e igualmente um receio de que venhas a sofrer até aprenderes que às vezes tens de saber não ser orgulhosa. Não que goste de te ver chorar porque não gosto, mas porque quando vejo outras crianças com a tua idade percebo o quão diferente tu és neste aspeto.

Adoras pintar e desenhar e só à pouco tempo os teus desenhos evoluiram de riscos e rabiscos para coisas que já vamos percebendo o que são. Gostas de histórias e de fazer contas, mas não gostas de não saberes alguma coisa e quando te sentes insegura falta-te a preserverança de te tentares vencer, desanimas e desistes até voltares a encontrar vontade para prosseguires.

És vaidosa e continuas a gostar do faz de conta, mudas de roupa e queres pintar a cara, como se todos os dias pudessem ser carnaval.

Gostas do Tom & Jerry mais do que qualquer desenho animado, e a tua princesa preferida é a Cinderela. Tens pesadelos com os vilões dos filmes e por isso deixaste de ver a princesa e o sapo. Quando escolhes os filmes muitas vezes dizes que não queres ver este ou aquele porque depois sonhas com uma ou outra personagem, como o Gargamel dos Smurfs.

Estás desejosa que te comecem a cair os dentes, porquê não sei.

Tens uma relação fantástica com a tua irmã, és maternal e acho que muitas vezes aproveitas para brincares às mães com um bebé verdadeiro. Quando estão a comer e eu me levanto da mesa aproveitas a oportunidade para lhe dares uma colher de comer à boca e às vezes de manhã quando me levanto e vou ao vosso quarto vejo as duas na tua cama. És cuidadosa e calças a tua irmã quando ela se levanta porque sabes que nenhuma de vocês deve andar descalça. Tens a obcessão de pores a tua irmã no bacio, o que nos desespera às duas!

Claro que te desentendes com ela mas felizmente, grande parte do tempo, conseguem brincar as duas sem se chatearem e sem discutirem por causa dos brinquedos, embora às vezes se entusiasmem e as vossas correrias pela casa acabem com uma de vocês a chorar porque se aleijou. Mas faz tudo parte.

Continuas a ter um medo inexplicável de cães e descobriste que gostas de arroz doce, de o comer e de o fazer, por isso quase todas as semanas fazemos arroz doce para ti. Também gostas de me ajudar na cozinha e fazes bolachas quase sem ajuda. Gostas de fazer as bolachas para as ofereceres à tua educadora, o que eu acho fantástico.

Também tu és uma bolacha. És a minha bolachinha e fazes o meu mundo girar já hà 5 anos!

Nós na cozinha

Eu gosto do mês de Agosto. É provavelmente o meu mês preferido porque já fui de férias, já descontraí, já fui à praia e à piscina, já brinquei com as miúdas e matei as saudades todas. É claro que se pudesse continuar de férias continuava mas, como o trabalho não espera, o regresso é obrigatório e, podendo eu escolher, escolho trabalhar no mês de Agosto.

Lisboa está vazia de carros e trânsito e cheia de gente que fala outras línguas que não o português, por isso é como estar numa cidade diferente. Não preciso de andar em stress com as horas, chego sempre a tempo ao trabalho, tão a tempo que consigo sair mais cedo do que o normal e chegar a casa mais cedo, o que me dá muito mais tempo para estar com elas.

Ontem a Mafalda quis fazer pão, e pão foi o que nós fizemos!

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Tinha uns pacotes de mistura para pão de queijo, aparentemente um produto brasileiro, que me apresso a explicar que nos foi oferecido no supermercado, e assim que a Mafalda percebeu que aquilo servia para fazer pão não descansou enquanto não pôs, literalmente, as mãos na massa. Mais uma coisa em que sai a mim, adoro amassar massas, sejam elas de pão ou de bolachas.

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A Teresa não estava muito interessada até perceber que a tarefa ia demorar e que mais valia juntar-se a nós. Vai daí e foi para ao pé da irmã que lhe deu uma bolinha de massa para amassar. Claro está que a Teresa resolveu amassá-la com os dentes, mas também está bem!

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A cada dia que passa elas estão mais próximas uma da outra e é tão bom vê-las interagir uma com a outra. Agora estou a viver com a Teresa o que já vivi com a Mafalda, que é este deslumbre de poder fazer coisas com ela, de tê-la a participar em partes da minha rotina e não ser só eu a participar na rotina dela. Por outras palavras: é bom tê-la a fazer coisas de crescidos e não estar sempre eu a fazer coisas de bebés. Mas por outro lado sei que daqui por mais uns meses, quando ela perder o que ainda lhe resta de bebé, vou ficar com o meu coração pequenino de tanta saudade…

E é tão engraçado ver o quão diferentes elas são! A Teresa parece ser mais prática e descomplicada do que a Mafalda, mas é só um palpite meu baseado na forma como ela descomplica as palavras que não consegue dizer. Por exemplo, A Mafalda com a mesma idade que a Teresa tem agora dizia Cucuta quando se referia a uma tartaruga. Já a Teresa diz simplesmente Cuga. Como é de esperar a Teresa já fala muito mais do que a Mafalda falava com a mesma idade, mas também tem muito mais estímulo com a irmã e os primos.

É muito menos insegura do que a Mafalda, mas em compensação é mais carente de mimos e contacto físico e muito menos aventureira e destemida. É cautelosa e não faz nada sem pensar bem, nem mesmo provar um alimento novo. É preciso convencê-la bem convencida. Adora animais e desses nenhum lhe mete medo, já a Mafalda tem medo de tudo o que se mexa à volta dela.

Têm as duas pavor de àgua na cara e continua a ser um grande desafio lavar-lhes o cabelo e claro, são as duas doidas por chocolate, mas nisso têm bem a quem sair!

Brincar com as minhas filhas

Gosto dos dias de praia em que o tempo nos deixa brincar na areia sem torrarmos com o calor. Gosto de brincar com elas e com os baldes e as pás e demais brinquedos. Gosto que elas gostem de me ter ali a brincar com elas. Gosto de fazer castelos na areia. Elas também gostam.

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E agora a parte divertida! Desmanchar o castelo! Garanto que estão mais do que aptas para bater recordes olímpicos!

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Aprender a Ler

Aqui à tempos comprei a cartilha maternal João de Deus, já revista com o novo acordo ortográfico. Pensei que a Mafalda havia de querer aprender a ler antes de chegar à escola primária. Não conhecesse eu bem a peça e corria o risco de me ter enganado, mas a verdade é que desde que aprendeu a escrever o nome dela anda interessadíssima nas letras, em escrever e em ler.

Na escola a educadora desaconselhou, diz que pode dificultar a aprendizagem durante a escola primária. Por um lado concordo porque se já aprenderam o que lhes estão a ensinar a motivação pode diminuir, mas por outro lado, se esles mostram interesse e potencial para aprenderem antes, impedi-los é retardar a aprendizagem.

Ontem, depois de muitos dias de insistência começamos na primeira página da cartilha.

As vogais. Ela conhece as letras maiúsculas e não as minusculas, por isso foi dificil para ela reconhecer cada um dos caracteres, mas vencido esse obstáculo lá conseguiu identificar o “a e i o u”.

Passamos então à fase seguinte. Mafalda repete “a-i” juntos e depressa até reconhecer o som… Após muitas tentativas e com muita ajuda da mãe lá percebeu que “a-i” juntos lê-se “ai”.

O mesmo para o “u-i”. Dizer depressa e juntos até soar a qualquer coisa. Com muita dificuldade chegamos ao “ui”.

O “eu” e o “ia” foram menos trabalhados porque ela não estava assim muito segura.

Ao fim de um tempo tentei que ela olhasse para as letras e reconhecesse a fonética delas e quando lhe perguntei como se lia o “a-i” ela respondeu-me serenamente: “dói-me”.

Tentei não me rir, juro que tentei… Mas foi brilhante. O esforço dela por associar o som a palavras complexas é bestial e a mente dela estava a funcionar por sinónimos! Ainda assim foi-me tão difícil manter a concentração e a postura… só me apetecia rir à gargalhada com este instantâneo dela! O problema é que se ela percebe que tem graça repete-o até ao infinito e isso condiciona a aprendizagem.

Ainda bem que não fui para o ensino…