Eu aos 35

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Cheguei aos 35.

É um pouco como estar a meio do caminho: já estou a meio dos 30 e a meio caminho dos 40.

Tem sido uma viagem e tanto! Vale-me o optimismo, a força de vontade e a determinação (teimosia) em manter a fé num amanhã sempre melhor.

Para mim o copo está meio cheio o que não quer dizer que não tenha dias muito maus em lugares muito sombrios. Acredito que todos temos. Eu gosto de viver os meus virada do avesso, bem cá para dentro, mantendo sempre para mim que o amanhã vem sempre.

Aos 35 ainda sou criança e rir e brincar estão no topo das coisas que mais gosto de fazer. Vou alternando as brincadeiras entre as minhas e as delas, mas rir é mandatório.

Aos 35 anos ainda sou adolescente, com borbulhas e tudo, ainda acredito na Humanidade e no poder dos pequenos gestos. Acredito que é possível crescer e ser melhor e contagiar os outros com coisas boas numa cadeia sem fim. Ainda sinto borboletas na barriga quando uma coisa boa está na iminensia de acontecer e ainda tenho amigos que considero irmãos.

Aos 35 anos olho à minha volta e vejo que já sou adulta: tenho 3 filhas (3!), sou mãe hà 7 anos (!!!!), sou casada (quem me conhece sabe o quão improvável isto era!), tenho um emprego, uma casa, um carro e contas para pagar.

Faço por viver os meus dias no equilíbrio entre o que sou, o que quero e o que tenho e por princípio a minha consciência é um ovo. Ser justo é muitas vezes tomar decisões difíceis e, como a moeda tem sempre dois lados, para uns sou o dia, para outros a noite. Para mim sou só eu, inteira e una, e é tudo o que me interessa.

Já tomei muitas decisões más. Tomei ainda mais decisões boas. Aprendo sempre as minhas lições, embora me reserve o direito de achar que podia lá chegar por outros caminhos. Mas discordar e questionar também faz parte do caminho.

Tenho as minhas crenças, as minhas religiões e as minhas filosofias. Todas juntas dariam um Marianismo. Fica para mais tarde o meu manifesto!

Tenho muitas, muitas paixões. É como se o meu coração fosse uma bola de espelhos. Não é fácil viver com isto mas é intenso e cheio de sentido, pelo menos para mim.

Ainda tenho muita coisa para aprender e no topo da minha lista está aprender a ser menos fusional. Tenho para mim que se conseguir ser menos fusional, vou conseguir magoar-me menos e sofrer menos. Dizem-me que ser fusional é uma coisa boa, mas não é. É mais uma coisa que me torna diferente, me afasta e me faz sentir só.

Também devia aprender a encurtar a distância entre a razão e o coração. Faz-me tanta falta.

E vá que este ano, mesmo a tempo dos 35, aprendi uma grande lição de vida. Não posso escolher o que me acontece nem alterar o que me está destinado, mas posso seguramente escolher a forma como quero lidar com isso. E fiz a minha escolha: escolho não sofrer. E isso mudou tanta coisa!

Aprendi muitas outras coisas com pessoas absolutamente fascinantes e inspiradoras. Muitas delas que guardo e lembro com carinho tantas vezes. Quando for avó quero ser como as minhas avós.

Mas recuso-me a aprender a resiliência. É uma teima minha. Não serve, muda-se não se acostuma.

E cultivo com muito cuidado a assertividade. Faz-me tanta falta em certos momentos da minha vida como um bom punhado de coentros numa açorda.

Fiz muitos amigos tão importantes em fases determinantes da minha vida, que também me ensinaram muitas coisas, que me acompanharam e com quem vivi tanta coisa do hilariante ao dramático! Alguns deles foram com o tempo, com a vida e com as circunstâncias. Mas a todos guardo com muito carinho.

Ficaram alguns que ganharam outros estatutos. Ficaram as minhas metades. Vieram amigos novos. Qualquer dia já vão ser velhos!

Não sou uma pessoa preconceituosa, mas aprendi a avaliar as pessoas pela forma como expressam os seus sentimentos.

Tenho dificuldade em aceitar pessoas que se queixam, e queixam e queixam, e por mais que se queixem jamais dão um passo no sentido de tentar mudar uma migalha do que as apoquenta. Tenho dificuldade em aceitar pessoas a quem falta a humildade e que se acham melhores, mais inteligentes, mais bem sucedidas e mais bem tudo que todos os outros.

Se pudesse mudar a minha vida, não a mudava assim tanto. A verdade é que estou bem assim. Tenho tudo o que interessa, o resto são extras. O importante é ter gente, gente boa, por perto, é ter saúde para estar presente, é ver as crianças crescer saudáveis, e ter cama, comida e roupa lavada, é ter o coração cheio de coisas boas e poder amar.

E tenho sempre, sempre presente, que ontem já passou, o amanhã pode não chegar para mim, e hoje é tudo o que eu tenho. Por isso não gosto que fiquem coisas importantes por dizer ou por fazer. Não gosto de arrependimentos nem da sensação de ter ficado tanto por dizer.

E já passaram 35. Bem cheios de coisas boas e com coisas más qb.. Foi uma sorte. É uma sorte. O que vier a mais é ganho, uma dádiva, uma bênção.

E espero estar por aqui e ter-te também aqui.

A mais um ano!

E de caminho um grande Natal, de coração cheio.


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Presépio de Meias

A nossa mudança para a aldeia implicou mudar as crianças de escola e, como aqui não há colégios a Mafalda está na escola pública e as pequenas numa IPSS. Uma das grandes diferenças entre esta realidade e a que conhecíamos antes é, precisamente, o esforço que é pedido aos Pais. Nos colégios há um grande esforço financeiro mas a escola faz tudo, compra tudo, prepara tudo, acompanha o estudo dos alunos, corrige os trabalhos de casa, está tudo incluído na mensalidade (com muito poucas excepções).

Na nossa nova realidade o esforço não é financeiro mas sim de tempo: há um grande dispêndio de tempo (que tenho tanto ou menos que dinheiro!): os pais fazem tudo, preparam tudo, compram tudo. É preciso levar comida para os lanches, todas as semanas é preciso um novo material para um novo projeto, a festa de Natal também é feita pelos pais, e mais comida para levar. Vezes 3. É bom poder fazer parte da comunidade escolar e estar mais envolvida no quotidiano escolar das miúdas, mas há alturas em que as solicitações são tantas que atender a tudo passaria a ser um emprego a tempo inteiro. E eu, ao contrario de uma boa maioria desta comunidade escolar, já tenho um emprego a tempo inteiro, que me rouba o tempo para ser uma parte mais activa desta comunidade.

Um dos “desafios” desta quadra de Natal foi um concurso de presépios em que a Mafalda quis participar. É claro que ao fim de 7 anos a ver a mãe “fazer coisas” o monstro está mais do que criado (mea culpa) e não foi nada fácil escolher um projeto que fosse viável, em termos de tempo e de materiais que já tivéssemos em casa. Ela queria fazer uma coisa muito elaborada e eu entendi que o projeto deveria ser feito em grande parte por ela, mesmo que não ficasse elegível a prémio nenhum. Ela queria lã nos cabelos e panos nas roupas e claro que bonecos nasceram!

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Os bonecos foram feitos com meias de bebé que perderam os pares. Foi uma boa maneira de fazer desaparecer 6 meias sem par! A Mafalda encheu os bonecos com o enchimento de lã, cortou as rodelas de cartão na base e as respetivas rodelas de feltro e colou os olhos. Ainda a fiz coser os cabelos de um dos Reis Magos, só para ela perceber o trabalho que dá! É claro que ela não chegou a acabar mas ficou com a ideia do trabalho envolvido nisto, e sobretudo ficou com a ideia que a mãe não é nenhum mágico a tirar coelhos da cartola ou uma fada com uma varinha de condão que faz aparecer as coisas!

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E foi só pela insistência dela que o presépio teve direito a Reis Magos, porque por mim ficava-me só pela Sagrada Familia!

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Vá que até ficaram engraçados de tão patuscos que estão! Mas não dava para fazer 3 presépios, pois não?


Bolo de Aniversário Lalaloopsy

O combinado era a casa das Lalaloopsys mas no dia dos anos, por sermos pouco e não justificar um bolo tão grande, fiz uma Lalaloopsy de cabelo azul (como ela pediu) e caracóis como os dela!

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E depois, no dia da festa com toda a família, a Teresa apagou as velas no bolo da casa das Lalaloopsy, e as velas foram redondas iguais a bolas de futebol, que foi o que ela escolheu! É assim a minha Teresa tão menina como rapaz!

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4 anos de Teresa

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Hoje fazes 4 anos mas querias muito fazer já 5. Acho que é por estares numa sala com crianças de 4 e 5 anos e tu seres a segunda mais nova. Por alguma razão o 4 não te diz nada. Eu também tive anos assim, valia mais passa-los à frente, julgava eu, mas aprendi muita coisa importante nesses (e em todos os outros) anos.

A nossa relação foi sempre muito intensa, não quer isto dizer que goste mais de ti do que das tuas irmãs, ou que sejas mais especial, mas tens esse teu jeito único de ser e termos começado a nossa relação no fio da navalha só ajudou. Das 3 filhas que tenho foste a única que resultou de uma decisão prévia e por isso eu e o teu pai já te imaginávamos muito antes de te termos feito, ter passado metade da gravidez em risco de te perder pôs muita coisa em perspectiva. E se calhar é por isso que das 3 és a mais dependente de mim.

Continuas a ser terrível para comer, a sopa continua a ser para ti uma forma de tortura e ver-te comer sopa começa a sê-lo também para mim. As tuas expressões de desagrado são genuínas e isso fez-te ganhar o direito de comeres só meia concha de sopa, mas só eu é que o sei, a bem do equilíbrio familiar! Não gostas de quase nada e tenho esta teoria de que escolhes os alimentos pela cor, sendo que o branco é a tua cor preferida: gostas de arroz e massa, iogurtes, maçãs, pêras e bananas, pão e manteiga, queijo. Abres uma excepção para o chocolate mas não gostas de chocapic, nem de bolos tenham ou não chocolate. Gostas de algumas bolachas. Não gostas de rebuçados, nem gomas nem mais nenhum doce. Toleras as estrelitas e agora, nesta escola, aprendeste a beber leite, o que fazes só porque sim e porque tem de ser. Em casa continuas a não querer beber. Mas depois gostas de brócolos e de iscas, pastéis de bacalhau, croquetes, pizza, salsichas e ovos mexidos. Continuas sistematicamente a vomitar quando comes polvo ou bolachas oreo e se formos andar de carro não te podemos deixar comer queijo e iogurte antes, senão… Mas raramente adoeces o que me deixa bastante mais descansada.

Gostas de brinquedos pequenos, com peças pequenas. Tens uma capacidade fantástica de imaginar situações e contextos para as tuas brincadeiras e ver-te brincar é para mim um prazer. Desenhas e pintas com moderação e alternas facilmente as tuas brincadeiras. Na verdade és tu que dás uso aos brinquedos da casa! E os carros continuam a estar nas tuas preferências.

Adoras animais e ainda não encontrei um que te fizesse ter medo. Até mesmo o sapo que nos apareceu no quintal mereceu o teu afecto e foi difícil convencer-te que não podíamos deixá-lo no lago da tartaruga. As tuas gatas são os teus amores e elas sentem isso porque se deixam andar ao teu colo sem problemas e até ronronam.

És muito tímida e envergonhada. Não socializas com o mesmo à vontade que a Mafalda e isso obriga-nos a respeitar o teu ritmo. Já estivemos em festas de anos onde não saíste do meu colo e, mesmo com os teus primos, quando a confusão é muita, é difícil convencer-te a ir brincar. Mas és pouco conflituosa nas brincadeiras e consegues facilmente gerir os conflitos sem teres que, sistematicamente, abdicar da tua vontade própria. Do outro lado da moeda és traquinas e muito divertida, dizes coisas palermas e brincas com as palavras.

Este ano passaste a fase dos Caricas e muitas vezes ao cantares uma das músicas, a tua dificuldade em pronunciares os R’s e os LH’s faziam com que a palavra colherão se transformasse num enorme palavrão, ao qual me foi sempre preciso um esforço hercúleo para não me rir! Continuas a ter um ouvido bestial para a musica e queres muito uma viola cor de rosa e da Minnie.

Tens um riso dourado e contagiante por isso muitas vezes provoco-te só para te ouvir rir. É um vicio que tenho!

És perfeitamente segura de ti, do que gostas e do que não gostas, do que queres e do que não queres e não te deixas influenciar por nada nem por ninguém. Pode até ser muito giro mas se entendes que não é para ti, não há quem te convença!

Esse teu jeito meigo já roubou um coração e o Carlinhos jura que vai casar contigo! No outro dia vieste a Lisboa comigo, e por várias vezes as pessoas se meteram contigo nos transportes. Há algo em ti menina…

Tens uma capacidade fantástica de te expressares, e mesmo antes de fazeres os 4 anos já sabias explicar porque é que estavas zangada, ou triste ou contente. Verbalizas as coisas com uma facilidade incrível para a idade que tens.

Mas és temperamental, e estás agora mais birrenta do que há uns meses atrás. Mas já não dormires na escola contribui muito para este teu humor rabugento. Às vezes entras num mundo de fantasia: tem dias em que és um pinguim, outras uma tartaruga e mais recentemente um cavalo (para seres como os Ponys), mas a culpa também é minha porque fui eu que te comecei a chamar tartaruga enquanto te ensinava a nadar.

E és doce e meiga, não te deitas sem um beijinho e sem um abracinho. E às vezes estás deitada e és capaz de sair da cama e vir ter comigo só para me dares outro beijinho e outro abracinho, e lá voltas para a cama sem problemas e de coração cheio. E até os teus brinquedos, quer sejam cães, gatos, barriguitas ou pinypons têm de me dar beijinhos, só dispensas os carros dessa formalidade porque entendes, e muito bem, que os carros são incapazes de dar beijinhos!

Continuas a ter uma grande cumplicidade com a Mafalda e alternas entre ser extremamente cuidadosa com a Sofia e entrar em conflito directo com ela por causa dos brinquedos. Partilhar os brinquedos com a Mafalda foi sempre uma condição implícita na tua existência e até há bem pouco tempo não era preciso partilhar nada com a Sofia. Mas vais lá chegar até porque adoras que ela se ria para ti e adoras ter companhia para brincar.

E por tudo isto que és com os teus 4 anos, dás tanto, mas tanto sentido à minha vida que ser-me-ia impossível vivê-la sem ti.

Parabéns Tartaruga, venha mais um ano de descobertas e aprendizagens!


Bolo de Aniversário da Violetta

Em ano de moda de Violetta a Mafalda quis que o bolo de anos fosse da Violetta. Depois de, no ano passado, ter feito bolos sob o tema das Monster High, já estou um bocado por tudo!

Mas o que ela queria era mesmo as figuras. Estava absolutamente fora de questão reproduzir as personagens em pasta de açúcar por isso optei por comprar umas imagens impressas em óstia e fazer os medalhões para aplicar no bolo.

Este bolo acabou por ter muito trabalho em Royal Icing para complementar o desenho. O desafio é não partir as claves de sol e as colcheias ao aplicá-las no bolo!

Mas vá que a miúda ficou feliz, fez um sucesso na escola com um bolo de 2 andares, e viu realizado o seu desejo de ter um bolo da Violetta!

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Já em casa esperava-a um bolo mais simples mas sob o mesmo tema!

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Qual será a moda do próximo ano?


7 anos de Mafalda

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Se há coisa que vais aprender é que a vida não pára. Nem sequer por um minuto, nem sequer por um segundo para poderes recuperar o fôlego e tirares uma boa fotografia mental do momento.

Um dia hás de tropeçar nestas minhas palavras para ti e hás de achar tudo isto feito de lugares comuns.

Um dia hás de ter crescido o suficiente, vivido o suficiente, e amado o suficiente para conseguires, finalmente, entender que os lugares comuns são tão bons para expressar tudo aquilo que não conseguimos expressar com outras palavras.

E hoje fazes 7 anos! Acho que estás orgulhosa de ti. Nessa tua ânsia de seres crescida, estás agora um ano mais perto do teu objetivo. E não há quem te convença que o melhor do mundo é ser assim, como tu és agora. Crescer é inevitável, sei-o bem, tão bem como sei que a infância é curta, por isso quero que a vivas ao máximo. Faltam 5 anos para entrares na adolescência, e sim estou em contagem decrescente, porque vê minha filha, já passaram 7 desde que nasceste e eu nem dei bem pelo tempo passar, por isso acredito que antes que eu me consiga preparar para isso, tu serás uma mulherzinha. Mas tu estás deserta de lá chegar e eu quero que lá chegues com tudo o que precisas para lhe sobreviveres.

És como um cavalo selvagem, não vale nunca a pena fazer-te frente, mas o teu coração é enorme e não resiste a um pedido de ajuda, por isso muitas vezes as tuas “obrigações” são transformadas em “ajudas” para que as cumpras de bom grado e sem te sentires contrariada. Sim, em 7 anos aprendi tanto (ou mais) do que te ensinei! Mas continuo a fazer-te frente porque, bem…, esse é o meu papel de mãe!

És a rainha da festa, continuas a gostar de mandar e onde quer que vás entras em grande estilo. Sempre que entras na tua nova escola gritas um fantástico e contagiante bom dia, é impossível não te sorrir. É por isso que és magnética e com o tempo vais reparar no quão fascinante és para algumas pessoas. Mas hás também de aprender que existe um outro lado da medalha. Mais tarde, espero eu.

És vaidosa e segura de ti. Eu, como sempre me senti como o patinho feio, prefiro que assim sejas. Espero que consigas manter essa tua auto-estima. Ser-te-à muito útil ao longo da tua vida.

Tens uma capacidade de te adaptar a novas situações que me surpreende sempre, e esta nova escola e estes novos amigos fizeram-te muito bem. Foste para um meio mais pequeno mas cresceste muito, perdeste grande parte das tuas infantilidades e, surpreendentemente, os teus horizontes alargaram-se.

Descobriste que adoras cavalos, e agora queres uma quinta onde possamos tê-los. Continuas a gostar de te vestir de forma “fashion” e de usar as minhas e as tuas maquilhagens, mas deixaste de parecer tão presa a essa ideia. As tuas brincadeiras continuam a ser imitações da sala de aula, ou de pais e mães que deixam os filhos na escola.

Estás a descobrir que gostas de fotografia e o teu avô não podia ter ficado mais feliz. Esta é mais uma forma de arte que te seduz, a juntar ao desenho, à pintura, às colagens e a todos os outros trabalhos que gostas de fazer.

Continuas a ser uma excelente irmã e, claro, tens os normais momentos de birras com elas, mas tudo isso faz parte.

E já tens outro tipo de conversas, já sabes formalizar uma opinião, já consegues ter conversas sérias, e sempre que algo te preocupa ou te incomoda não hesitas em vir ter comigo e conversar. Aos poucos estás a interiorizar o teu mundo e a construir as tuas verdades, e não vale a pena eu dizer-te o contrário: às vezes é doloroso e difícil, mas faz parte.

Continuas a querer ver-me sorrir e por isso várias vezes me dizes para sorrir. Só mesmo tu para quebrar a mecânica da rotina!

Continuas a não ser muito simpatizante com cães e se eles te aparecem à frente sem estares à espera descontrolas-te e gritas como se te estivesse a atacar. Também detestas o escuro.

Adoras as tuas gatas e elas retribuem-te.

Ainda és a minha Maria Bolacha, e isso não vai mudar nunca.

Parabéns minha filha, para ti o mundo.


Ter ou não ter um animal de estimação

A saga do gato começou no ano passado. O que estava combinado com elas é que poderiam ter um gato assim que a Sofia fosse mais crescida e, se e só se, elas se portassem bem, que esta cláusula é obrigatória em todas as nossas combinações! Mesmo antes pensarmos em mudar de casa sabíamos que mais cedo ou mais tarde teríamos de arranjar espaço para um bicho.

Em casa dos meus pais nunca houve gatos nem cães, para grande desgosto meu. Houve peixes e pássaros, tartarugas e peixes, coelhos e ouriços caixeiros e algures no tempo tenho ideia que até uma rã houve. Mas nunca cães nem gatos.

Com a idade e a experiência de ser mãe e de estarmos todos encafuados num apartamento, com horas contadas para tudo, passei a perceber a reticência em relação aos cães. Nesta fase da minha vida não me vejo a acrescentar, à minha rotina, as horas do passeio do cão à rua, e as miúdas ainda são demasiado pequenas para o fazerem. Embora continue a adorar cães e a querer muito vir a ter um (ou muitos).

Mas os gatos são diferentes e mais autónomos no que respeita às suas necessidades e à higiene do nosso espaço, e por isso nesta fase são compatíveis com a nossa rotina. E de qualquer forma as miúdas queriam um gato.

Mudar de casa precipitou as coisas porque ficamos com mais espaço, o que nos permitiu criar um cantinho para o gato. E a Sofia cresceu e começou a andar. E havia um gatinho que precisava de lar. E tudo isto junto fez-nos aceitar o desafio.

Foi num Domingo que fui comprar as coisas para o gato, mesmo antes de o ir buscar, para fazer uma grande surpresa às miúdas, que voltavam para casa nessa tarde. Por haver escolha, eu escolhi uma fêmea e de pelo claro.

Quando me encontrei com a pessoa que estava a dar os gatos ela mostrou-me duas gatinhas e uma delas tinha um ar terrível, daqueles gatinhos do final da ninhada, mais pequenina e enfezada, com uma conjuntivite brutal nos dois olhos. Eu escolhi a que tinha um ar mais saudável.

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Mas depois a pessoa insistiu para eu trazer as duas, que eram da mesma ninhada e que precisava mesmo de dar as gatas que tinha 14 gatos bebés para dar e se não encontrasse lar para todos tinha de os abater. Fiquei para morrer, a gata já parecia morta e, honestamente não sei se teria sobrevivido a mais uma semana.

Acabei por trazer as duas, pronta para o embate com o meu marido, na condição de lhe arranjar um lar. Mas quando cheguei ao pé dele o meu ar devia ser ainda mais desesperado do que o da gata porque, apesar de eu lhe ter dito que arranjava um outro lar para a gata, nunca, em momento algum, ele assumiu que ela não era também nossa.

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E foi assim em vez de um gato adoptamos dois.

Tivemos, no entanto, o cuidado de adoptar gatos bebés, para facilitar a adaptação das miúdas às gatas e vice versa. E tanto umas como outras adaptaram-se perfeitamente.

E ter duas gatas tem revelado algumas vantagens em relação a uma só:

- as miúdas dividem as atenções pelas duas e não massacram só uma gata,

- as duas gatas brincam uma com a outra e não estragam (tanto) as nossas coisas

- não há crises de ciúmes porque há sempre mais uma gata para mimar, e sempre mais um colo para dar mimo às gatas

- as miúdas desenvolvem um sentido de responsabilidade maior porque são formalmente responsáveis pela higiene diária da caixa da areia, sob a nossa supervisão, especialmente no que respeita a lavar as mãos no fim. Também são responsáveis pela alimentação delas.

Até agora não houve nada que me tivesse feito questionar a decisão de ficar com as duas gatas. De tal forma que me parece ser até bastante funcional numa família com mais do que uma criança pequena.

A desvantagem óbvia é o encargo financeiro porque as despesas de alimentação são a dobrar e a conta do veterinário também. Em relação à areia para já é mudada uma vez por semana, mas é possível que quando as gatas forem adultas seja preciso mudar duas vezes por semana. E a outra desvantagem é que se torna mais difícil controlar o impulso de adoptar mais gatos, porque já venceste a barreira mental do “um só animal”, assim com dois dás por ti a pensar que se fossem 3 nem davas pela diferença e torna-se complicado controlar!

E se achas que os gatos são desprendidos deixa que te diga que são é mal entendidos. Os gatos têm vários períodos do dia em que querem festas e mimos, e é nessas alturas que devem ser acarinhados. Quando querem brincar e correr atrás de coisas não vais conseguir que fiquem ao pé de ti, nem sossegados, nem ao teu colo. Com os gatos é preciso perceber o que eles querem fazer e saber entender a sua linguagem. Se impões a tua vontade o mais certo é veres (e sentires) umas garras de fora!

As miúdas já aprenderam os ciclos das gatas e fazem gato sapato delas! E achas que as gatas se importam? Qual quê! As gatas ficam no quarto delas a vê-las brincar, brincam com as peças dos brinquedos delas, dormem nos carrinhos dos bebés de brincar e assistem metodicamente a todos os banhos delas! E andam ao colo, recebem beijinhos e ainda voltam para mais! E sempre que é hora da Sofia comer, sentam-se debaixo da cadeira dela porque sabem que vai começar a chover comida!

Tem sido uma simbiose muito interessante entre as miúdas e as gatas e acho que lhes tem feito muito bem, mesmo a nível da expressão dos afectos.

É claro que antes de decidir ter um gato em casa, toda a gente me contou as mais insólitas histórias de como de uma forma ou de outra o gato matou a criança, ou porque a mordeu, ou porque lhe espetou as unhas nos olhos, porque se deitou em cima da cara e a criança sufocou, ou porque os pelos ficaram alojados nos pulmões e a criança desenvolveu uma infecção respiratória e morreu. Mas isto são histórias.

Tudo o que é preciso é ensinar as crianças a conhecer os gatos (ou qualquer outro animal) perceber até onde podem brincar e aprender a linguagem do gato para que não haja mal entendidos, até porque os gatos não são nada dissimulados. Se eles não gostam fazem questão de te mostrar logo que não gostam!

E claro, como em tudo a higiene é fundamental! Areias limpas e mudadas com frequência, gatos livres de parasitas internos e externos, vacinas em dia, comida e água mudada com regularidade, nada de comerem restos perdidos da nossa comida! E para as crianças mãos sempre bem lavadas, especialmente depois de mexer na comida e no caixote das gatas e com maior empenho antes das refeições!

O resto é pura brincadeira!

E crescem tão depressa como as miúdas!

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Crochet Moderno

O Croché foi das poucas coisas que a minha avó teve paciência para me ensinar e o que sempre gostei no crochet foi o conseguir perceber a cada momento o que tinha de fazer para obter determinado resultado.

Sempre achei que era versátil e facilmente ajustável a cada necessidade, para além de ser muito rápido e poder ser feito tanto com lã como com linha, e até com outros materiais como as fitas de tecido, os plásticos e afins.

Mas durante muito anos o crochet foi para mim mantas de lã e naperons para todas as divisões da casa, da cozinha ao quarto, passando por todos os móveis, mesas e mesinhas que ficassem pelo caminho. Em casa dos meus pais os naperons era mudados religiosamente todas as 6ª feiras, tal como os lençóis das camas!

E a minha avó tinha sempre um trabalho de crochet no saco, que fazia nas horas de ócio em que se permitia sentar em frente à televisão. Por causa dela tenho um saco cheio de naperons, em conjuntos muito aprimorados e cuidadosamente estudados para cada divisão, que nunca uso mas que sou totalmente incapaz de me desfazer deles.

Mas nos nossos dias o crochet é mais do que isso, e é nesta descoberta que eu tenho andado entretida desde o inicio do ano.

Estas fotos foram tiradas em Constância em Maio deste ano e deixaram-me rendida ao encanto da cor. A iniciativa parte de um projeto social de combate à solidão e o trabalho foi feito por quem se quis juntar à iniciativa.

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E sabes que mais? Adorava ter um barco “vestido” assim! E fiquei totalmente rendida às cores e a este novo crochet. Afinal há mais no crochet do que naperons!


Viver na Aldeia

Mudar de uma freguesia com quase 20 mil habitantes para uma freguesia com pouco mais de 3 mil.

Mudar de um sitio com 5 mil habitantes por Km2 para um sitio com 85 habitantes por km2.

Viver numa aldeia. Respirar o ar fresco da serra pela manhã. Acordar com vontade. Adormecer feliz.

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Ver o sol nascer num horizonte limpo.

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Ter espaço para brincar.

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Semear, plantar, ver crescer e mais tarde poder colher.

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Re-adoptar a Nadir que me acompanha desde os meus 15 anos e que só agora saiu de casa dos meus pais. Lamentar que a Zénite não tenha sobrevivido até aqui para conhecer o lago que sempre lhes quis dar.

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Cumprir uma promessa antiga e ir ainda mais longe do que isso: em vez de um gato adoptar dois gatos, a Lola e a Mimi, e relembrar o que é viver com um gato. Aprender a controlar o impulso de querer adoptar todos os gatos infelizes e miseráveis que encontro.

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Conhecer novas pessoas. Fazer novos amigos. Manter o essencial intacto. Sentir-me em casa.

Voltar a andar de comboio. Ter 1 hora só para mim. Reacender a paixão pelo crochet.

Fazer novos planos e desistir de outros já velhos.

Aos poucos vamos fazendo o caminho e chegando mais perto de onde queremos estar.