2 Bolos – 1 Festa

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Novembro é o mês dos bolos e das festas. Com as duas primeiras a fazer anos é tudo a duplicar.

Já Setembro, para além de recomeços e primeiras vezes, é também mês de aniversários. Um dos 8 aniversários que há este mês na nossa família é o do Pai da casa, e tal como prometido à pequena Sofia houve festa grande com toda a familia para celebrar o seu primeiro aniversário em conjunto com o do Pai.

E não há festa sem bolo e eu estou a ficar pro nesta coisa de fazer dois bolos para cada festa! E como tudo melhora com a prática está a ficar cada vez mais fácil fazer um bolo e decorá-lo. E a verdade é que adoro.

A vantagem de ser o 1º aniversário da Sofia é que ela não opina sobre o bolo e assim não houve princesas, monstras ou outras personagens dos desenhos animados! Por isso deu para esticar a criatividade e perder o medo da modelagem. O bebé ficou irresistível e até a Teresa queria enchê-lo de beijinhos. Não foi nada difícil de fazer, pensei que ia correr pior.

A decoração não é das mais complexas e não é muito exigente em termos de tempo mas o resultado final é excelente e delicioso para os olhos.

Já a massa do bolo também estava deliciosa, a minha receita de estimação de bolo de baunilha com recheio de chocolate! Esta está sempre garantida!

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Já o Pai da casa decidiu trocar-me as voltas ao querer um bolo “desses giros que tu fazes para toda a gente”. Ora honestamente não estava nos meus planos mas vá que ele merece bem o meu esforço! Só que eu estou formatada para coisas de menina e se já acho que coisas de menino é difícil então de homem feito pior!

Mas como ele é o meu jeitoso (e na verdade é um homem bem jeitoso) lá lhe fiz uma caixa de ferramentas (em modo de agradecimento do trabalho e do empenho que ele tem no nosso lar).

Este sim foi trabalhoso. Não sei se tanto pelo bolo mas porque a pasta de açúcar cinzenta estava péssima de trabalhar e não tinha elasticidade nenhuma, por isso podia ter ficado mais perto de perfeito do que ficou.

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Ainda assim o bolo ficou inteiro até à hora de ser partido. Este bolo era de chocolate com curd de morango como recheio. Não desgostei da massa de chocolate mas acho que vou continuar à procura da minha formula mágica para o bolo de chocolate. Até aqui tenho gostado de muitas mas ainda nenhuma me fez parar de procurar.

E tu? Tens uma receita de bolo de chocolate infalível daquelas de comer e chorar por mais que recomendes?


Organizar o regresso às aulas

Que Setembro é mês de recomeços já todos sabemos. Mas para uns Setembro é também mês de primeiras vezes, ou ainda de recomeços na forma de primeira vez.

Para a Sofia é uma primeira vez na escola. Para a Teresa (e para mim) é um recomeço da escola mas, numa escola nova, por isso é a também uma primeira vez. Deixo o balanço deste (re)começo para mais tarde, quando tiver informação em quantidade suficiente para vos poder fornecer uma estatística exacta deste (in)sucesso. Sobre a Mafalda veremos mais tarde!

Da expressão delas percebe-se que a Sofia está igual a todos os outros dias como seria de esperar, não faz ideia do que o dia de hoje traz de diferente. Já a Teresa…

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Para mim é também um recomeço à organização do tempo e das rotinas das mochilas, agora com mais um nível de dificuldade! Começa a ser difícil não me esquecer de tudo o que cada uma delas precisa :) e além do mais, é o pai que as deixa na escola por isso este ano começa com um novo sistema de “aviso à navegação”, que funciona na porta do nosso frigorifico!

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Assim sabemos sempre o que precisamos, o que já preparamos e o que falta preparar! Fica a faltar a Mafalda, mas como o recomeço dela é mais tarde, depois afinamos o sistema!

Outra das coisas habituais nesta altura do ano, para além de forrar livros escolares, é etiquetar tudo o que as miúdas levam para a escola, o que é sempre tão aborrecido. Não é uma coisa me divirta muito fazer, até porque há coisas que passam de umas para as outras e não gosto nada de marcar a roupa com o nome da Mafalda e uns anos mais tarde ser a Teresa (ou a Sofia) a usá-la.

Mas vá, as coisas têm de ir marcadas ou eventualmente acabam por ser trocadas com os pertences de outras crianças, por isso tenho sempre tendência a fazer umas etiquetas bonitas e umas impressões em papel transfer para fazer etiquetas de tecido para as roupas. Este ano usei os elementos digitais da BitsO’Scrap e fiz estas etiquetas para as coisas das mais pequenas:

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Assim parece-me que encontro um bocadinho mais de motivação e menos de repulsa para marcar as coisas!

E claro, não podia iniciar o ano sem partilhar contigo este gráficos para que os possas usar nas coisas das tuas crianças. Assim organizar fica mais fácil e sobretudo muito mais divertido.

Reuni para ti estes elementos numa pasta .ZIP (1.42MB) que podes descarregar

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4 ficheiros de etiquetas em formato .jpeg que poderás redimensionar em função das tuas necessidades

2 ficheiros de check list em formato .jpeg para redimensionares como te der mais jeito e um ficheiro .PDF com as duas listas numa folha A4 para impressão direta.

Esta tarefa está semi concluída e vá que até está bonitinha! Para além destas listas e das etiquetas tens também uma lista de tarefas, uma lista de compras e uma planificação de ementas semanais aqui no site para usares sem restrições! Qualquer dia “lavo-lhes a cara”!

Boa organização e bom regresso às aulas!


Bolo de Aniversário História de Uma Vida

Setembro é uma espécie de Janeiro mas a sério. Setembro é todo o recomeço do ciclo: dizer adeus às férias e até para o ano, recomeçar a escola, reorganizar as rotinas, organizar material escolar e mochilas e roupas e sapatos e tudo o que elas precisam. É começar a pensar no frio que há de vir e no que calor que ainda quer ficar e articular o fresco das manhãs e dos finais de tarde com o calor abrasador do meio dia.

Setembro é também o mês de regressar ao blog… Agosto é um tédio… E escrever num blog em Agosto é muito o mesmo que falar numa sala enorme e …deserta.

E a verdade é que com este recomeço tenho muita coisa (alguma coisa, vá) para vos mostrar!

E começo com um bolo! Há lá maneira mais doce de começar?!

Não é um bolo qualquer! É um bolo de aniversário “História de Uma Vida”. É um bolo com 1,2 metros de comprimento dividido em 3 partes que “encaixam”. Foi esta a maneira que eu encontrei de fazer um bolo que desse para ser transportado para o local da festa! Este bolo conta a história da vida do aniversariante com alguns marcos em datas significativas, e claro, era impossível por tudo! Ainda assim tem o nascimento, o nascimento dos irmãos, filhos e netos, o casamento (e também o dos filhos) a ida e o regresso da guerra nas ex-colónias, as mortes dos pais e outros pormenores que ajudam a contar esta história. E resumir 70 anos de uma vida cheia não é fácil!

Estão presentes 3 massas diferentes de bolos: baunilha com recheio de chocolate, baunilha com recheio de morango e cakepop de doce de leite, tudo bem caseiro e delicioso e não sobrou quase nada :) É um bolo com muito trabalho de pormenor e grande e por isso o preço de venda ronda os 200€ mas vale bem a pena porque não só é uma delicia mas também porque é uma prenda que ninguém esquece, nem mesmo o meu sogro que ficou tão, mas tão sensibilizado com o bolo e tão surpreendido pela forma como transpus a vida dele num bolo! Não só pelo bolo, mas também pela presença de toda a família, este é um aniversário que nenhum de nós vai esquecer, e ainda bem, porque no final do dia é isso que importa.

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1 Ano de Sofia

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Fizeste um ano. Posso dizer-te que até hoje este foi o ano que mais depressa passou por mim. Com muita pena minha. Queria-te assim para sempre. Foste o bebé mais fácil que tive e foi por isso que não tive pressa para te ver chegar aqui.

És doce e meiga, comes lindamente, dormes ainda melhor. Não tens um feitio fácil e és traquinas demais para o aninho que tens, mas essa tua expressão e esse teu sorriso iluminam o meu dia. Aos poucos vais ganhando o teu espaço em nós e vais ganhando confiança na convivência com as tuas irmãs, especialmente com a Mafalda que insiste em pegar-te e agarrar-te, coisa que nem sempre gostas que te faça.

Tens instinto de engenheira: mexes em tudo, abres tudo com uma facilidade que é natural e olhas para as coisas de uma perspectiva pouco usual.

És em tudo diferente das tuas irmãs o que torna toda esta experiência uma experiência completamente nova para mim. E é bom que assim seja. A começar pela água! Fazes jus ao provérbio que diz que filho de peixe sabe nadar e estás tão naturalmente dentro de água como o estás fora.

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Tiveste o privilégio de já teres andado a saltar as ondas comigo, num dia de mar agitado e para ti foi normal.

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Tens também a sorte de teres nascido no verão e por isso os teus aniversários serão sempre com muitos banhos e muita diversão na água.

Não te fizemos uma festa grande (ainda) mas estiveste com os teus avós e só te faltou um primo para completar o naipe! Havemos ainda de juntar a família para celebrar este teu dia, afinal só fazes 1 ano uma vez e eu não sei se voltarei a ter o privilégio de celebrar mais algum primeiro aniversário de um filho. Parece-me razões de sobra para celebrar!

Manda a tradição que comas o teu bolo de aniversário por isso fiz-te um bolo despretensioso mas igualmente saboroso e tu gostaste muito.

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Também gostaste da liberdade que te demos para comeres o teu gelado e agarraste-o com as duas mãos não fosse ele fugir. É claro que não o comeste todo! Mas ficaste satisfeita!

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Tens 3 dentes nascidos há pouco tempo e tal como a Teresa os teus dentes vão nascer todos com uma ordem própria! Lá se vai o que está escrito nos livros! Dizes mamã e pouco mais mas sabes pedir comida e água e quando o teu pai de tenta ensinar a dizer sporting imitas e fazes um som que em muito se assemelha, e isso faz o teu pai sorrir!

Engana-te quem te disser que pessoa é coisa indivisível e podes ter a certeza que quanto mais me divido mais me multiplico e mais ganho de volta! Mas só quando fores mãe vais perceber o que agora te escrevo.

Foste a melhor prenda que eu podia ter recebido e eu desejo-te tudo o que uma mãe pode desejar a um filho e muito mais, e nas minhas orações peço sempre que tu e as tuas irmãs nunca me falhem e que a minha hora seja só quando já de mim não precisarem.

Parabéns por este ano, e venham os próximos!


Como entreter crianças no campo

Fomos ao campo com uma missão: desenhar monstros assustadores para afastar os bichos maus das árvores do quintal dos avós!

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Fomos pela serra e pela mata apanhar pedras, e enquanto procurávamos e escolhíamos as que davam melhores monstros, passeamos e conversámos e vimos plantas e insectos.

Com muitas pedras à disposição pintá-las foi trabalho para vários dias, em função da vontade e da criatividade do momento.

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Até o pai ajudou e a Sofia fez companhia!

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Depois de pintadas, as pedras foram usadas para fazer um canteiro no quintal dos avós.

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E ainda lá ficaram muitas pedras para pintar!

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Esta atividade é perfeita para estes dias quentes, não envolve grandes materiais e pode ser executada de forma quase autónoma pelas crianças. Ocupa-lhes bastante o tempo e é uma boa forma de ocupar as horas mortas do dia, especialmente enquanto os mais pequenos fazem a sesta ou enquanto esperam pelo almoço ou pelo jantar. Também tem outro aspecto bom que é estimular o gosto por caminhar no campo e nos matos, olhar a natureza e aprendê-la em contexto de brincadeira. E o melhor de tudo é que é uma atividade que se prolonga no tempo, elas têm sempre vontade de pintar por isso todos os dias apanhavam e pintavam pedras. Sabes como é: crianças felizes = adultos descansados!

Se fazes férias de praia podes aproveitar as pedras do mar, algumas são bastante interessantes para desenhar monstros ou animais que podes transformar em pisa papéis para ofereceres no Natal ou construir um pequeno jardim de fadas com as pedras mais pequeninas.

Deveríamos ter usado tintas acrílicas para pintar as pedras, mas foi de improviso e por isso não havia onde as comprar. Compramos digitintas da Jovi, daquelas que são semelhantes a guache e laváveis com água. Para as fazer agarrar à pedra misturámos com cola branca numa razão de 2 partes de tinta para 1 parte de cola. Depois de secas deveriam ter levado mais uma camada de cola branca para fixar ou, até mesmo verniz. Não tivemos tempo para isso por isso se a água lavar as pedras da próxima vez vamos ter de pintá-las outras vez! Mas acho que elas não se vão importar e tenho a certeza que até a Sofia vai querer ajudar!

A parte boa é que não ficou uma única mancha de tinta na roupa!

Sabem-me tão bem estes dias de sol e calor… Já sabe a verão!


Dia da Espiga

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Não costuma falhar. Quinta feira de espiga foi ontem e neste dia, depois das aulas vamos apanhar flores para o nosso ramo de espigas. Manda a tradição que sejam flores do campo símbolo da simplicidade, da alegria e da fecundidade e, claro, espigas que simbolizam os pertences. Manda a tradição que se guarde o ramo pendurado na chaminé, de um ano para o outro, para que nada falte em casa. Como não temos chaminé os nossos ficam à janela.

Foi assim toda a minha infância e faço questão que seja assim na infância delas, não por superstição mas para manter viva uma tradição, para termos uma boa desculpa para andarmos pelos campos a apanhar flores e para virmos para casa fazer raminhos. Ainda tenho guardados raminhos de outros anos e alguns deles vieram da casa antiga para esta, um dia terei de me desfazer deles, mas por agora ainda vou achando graça ao contraste das flores secas com as novas e ao ramo que cresce na minha janela.

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9 meses de Sofia

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O tempo voa e já fizeste 9 meses. Das 3 és a única que não me faz ter pressa de ver esta fase passada. És um bebé delicioso e fácil. És bem disposta e de sorriso fácil, comes bem sem dramas nem fitas e dormes como um anjo. Engana-te quem te disser que o terceiro filho nada tem a ensinar. Tens sido uma lição de vida, das boas, daquelas que são doces de aprender.

Porque afinal a maternidade também pode ser quase indolor e quase fácil. Isto ensinaste-me tu. Um bebé pode só precisar de comida e mimo e fralda limpa para ser feliz, como tu. O que mais me espanta em ti é a forma como adormeces sozinha, sem de nós precisares. Baste que chegue a tua hora e a cama é toda tua, nada de colos nem embalos, só a tua cama.

Por teres sido sempre assim eu e o teu pai não tivemos de aderir ao Co-sleeping, que é uma forma bonita de te por a dormir no meio de nós. Tal como fizemos com as tuas irmãs que por lá ficaram até aos 2 anos. Mas às vezes tenho pena de não te ter mais perto de mim para te poder sentir durante mais tempo o calor e o cheiro.

És muito observadora e com duas irmãs mais velhas tens muito para estudar. Gostas de cantar e palrar e tem alturas que parece que estás dentro de uma ópera a cantar uma ária.

Gostas de mexer nas coisas e de as sentir. Intriga-te a areia e a relva que gostas bem de sentir nas tuas mãos.

Já chamas por nós e as tuas vocalizações vão ganhando novos significados a cada dia que passa.

Não tens um só dente. Tal como a tua irmã Teresa só os deves começar a ter depois de fazeres um ano e vamos a ver se também nascem de forma aleatória como os dela.

Tens umas bochechas deliciosas o que faz com que todos lá em casa tas encham de beijinhos. Gostas de cavalices, gostas que te ponham de pernas para o ar e te atirem ao ar. Adoras que dancem contigo ao colo e continuas a gostar de me ouvir cantar, vai se lá saber porquê.

Não gosto mais de ti do que de qualquer uma das tuas irmãs mas, à semelhança delas, tenho por ti um amor diferente e especial. É daquelas coisas que só quando fores mãe dos teus filhos vais entender. E tal como elas ocupas em lugar especial no meu coração.

Chegaste sem aviso e na pior altura de sempre, e por isso eu e o teu pai tivemos de preparar a nossa vida para te receber. E se não fosse por isso talvez nunca tivéssemos chegado onde estamos agora. E por tudo isto tenho de te agradecer.

Fazes todo o sentido na minha vida.


Furar as Orelhas a Crianças

Ora aqui está um tema pouco consensual para variar. Hoje escrevo sobre orelhas e brincos, embora claro, não vá escrever nada que não tenho sido escrito já por alguém.

Como mulheres chegamos sempre aquele momento das nossas vidas em que queremos furar as orelhas e ter brincos para todas as ocasiões possíveis e imaginárias. Eu furei as minhas orelhas já estava na escola primária e foi iniciativa minha. Lembro-me de pedinchar e pedinchar à minha mãe até ela ceder. Lembro-me do lugar e do dia e da forma como me senti feliz e especial ostentando um par de brincos, que por sinal não era nada de especial.

E lembro-me que os dias que se seguiram foram horríveis, porque a minha mãe me limpava as orelhas com álcool e aquilo ardia, os brincos colavam-se às orelhas e descolar aquilo era um sufoco. Porém absolutamente necessário para poder, de futuro usar uma vasta colecção de brincos.

Por ter sido por minha vontade que furei as minhas orelhas, nunca me ocorreu fazê-lo de outra forma com as minhas filhas. Até porque tive uma amiga que nunca furou as orelhas por considerar um ritual bárbaro, e isso fez-me pensar.

Sempre achei que furar as orelhas deveria ser uma opção delas. E tenho-me mantido fiel ao meu principio.

A Mafalda tinha pouco mais de 3 anos quando começou a pedir para furar as orelhas, e claro que não acedi logo assim que ela começou a pedir. Fui medindo a insistência para determinar o grau de vontade. E por altura da Páscoa lá fomos furar as orelhas.

Com a Teresa passou-se o mesmo. Engraçado é que tiveram as duas o mesmo timming, à mesma idade que a Mafalda tinha, a Teresa começou a pedir para furar as orelhas. E eu fui medindo até onde ela insistia par ver se estava ou não determinada a isso.

Até que o dia chegou.

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A experiência foi um pouco diferente da da Mafalda. A Mafalda furou as orelhas numa ourivesaria mas agora não vivemos ao pé de nenhuma e as que eu conhecia fecharam. As que procurei já não furam orelhas. Li que as farmácias e para-farmácias também faziam furação de orelhas mas nas proximidades da nossa casa parece que ninguém quer fazer isto. Por isso foi difícil até ter tropeçado na Claire’s, onde vou com alguma frequência comprar coisas para as miúdas. Apesar do catrapázio enorme na montra e das minhas frequentes visitas não retive o essencial da informação pelo que levei algum tempo até chegar a ela.

O que interessa é partilhar a experiência e esta, digo-vos honestamente, não podia ter corrido melhor. A começar nas regras de higiene que são exemplares: mãos desinfectadas com alcool à nossa frente, luvas descartáveis de látex postas à nossa frente, equipamento desinfectado à nossa frente, orelhas desinfectadas com alcool à nossa frente, e claro os kit’s dos brincos que vêm estéreis. Com a Mafalda não foi assim e talvez por isso as orelhas tenham sempre infectado e os brincos colado à orelha e tenha sido sempre terrível tratar e limpar as orelhas depois de furadas.

Depois há todo um protocolo que seguem onde explicam o que se deve e não deve fazer, e há um termo de responsabilidade que se assina depois de lido e de ouvir todas as explicações de quem faz a furação. Nesse documento fica o número do kit dos brincos que foi usado no caso de haver algum problema. Foi assim que percebi que com a Mafalda fiz asneira! Passo a explicar: a Mafalda furou uma das orelhas 3 vezes. Da primeira vez perdeu o brinco na natação, da segunda vez eu, com medo que ela o perdesse, apertei-o mais perto da orelha, para não fugir, o que, sei agora, foi asneira. O brinco ficou apertado e não deixou espaço para a orelha inchar (no processo natural de sarar) e por isso acabou por ficar a parte de trás do brinco cravada no lóbulo da orelha. Posto isto tive de tirar o brinco para tratar a ferida que ficou. Esta foi a 3ª vez, esperemos que a última! E se não me tivessem explicado isto a minha tendência era voltar a apertar os brincos para não cairem!

Há ainda a diferença principal, que é muito, mas mesmo muito relevante quando se é criança! É que na Claire’s as orelhas das crianças são furadas em simultâneo, ou seja há duas pessoas a furar as orelhas logo a dor é só uma. A parte difícil de furar as orelhas às crianças é convencê-las a aceitarem passar outra vez pelo mesmo processo depois de terem a memória viva e fresca do susto e da dor de furar a primeira orelha! Assim é muito melhor e mais rápido. Com a Mafalda foi difícil convencê-la da primeira vez, e ela não é nada maricas com a dor, mas ainda assim julguei que saia da ourivesaria só com uma orelha furada. Foi mesmo muito difícil convencê-la a furar a segunda por isso um lugar onde furam as orelhas em simultâneo é um descanso!

E o serviço inclui também um frasco de líquido de limpeza para tratar a orelha em casa, o que é óptimo. A verdade é que nem as orelhas da Mafalda infectaram desta vez. Perfeitas, perfeitas!

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Mas é claro que não há bela sem senão! É que não é barato. Nada barato. O serviço de furar as orelhas é grátis os brincos ou piercings (como eles lhe chamam) é que não são. Os brincos são comprados em separado e vão desde os 14,90€ (cada brinco) até aos 40€ (cada brinco). Mas vá que o serviço justifica o preço se não escolherem os brincos mais caros. E é rápido e elas esquecem depressa a dor e ainda trazes para casa o liquido para tratar as orelhas, por isso é até muito bom. E o melhor de tudo é não haver complicações depois, nada de orelhas infectadas nem fitas para as tratar.

E outra coisa que eu acho que não deves fazer é mentir às crianças (que moralista que eu sou!). É que furar as orelhas dói, dói mesmo. Não vale a pena tentares convencê-las do contrário porque só as vais desiludir e fazê-las sentirem-se confusas por sentirem dor quando a mãe disse que não doía. Tanto com a Mafalda como agora com a Teresa, o processo de decisão delas foi sempre baseado no principio de que furar as orelhas faz doer e muito. Mas que a dor passa rápido, logo logo a seguir, e por isso não faz mal chorar um bocadinho, porque dói de verdade. E foram também mentalizadas de que teriam de furar as duas orelhas, ou seja depois da primeira teriam de deixar furar a segunda, o que não foi preciso com a Teresa, mas foi o que resultou com a Mafalda porque se não fosse isso acho que tínhamos vindo só com uma orelha furada!

E se no fim houver um prémio de bom comportamento ainda melhor! A Teresa portou-se tão bem (só choramingou, nem lágrimas houve) que teve direito a andar no carro do Nodi!


Ideias para a Páscoa

Este ano não me apeteceu a Páscoa. Se não fosse pelas miúdas acho que tinha passado ao lado, mas a Mafalda insistiu em fazer prendas para a família e pouco a pouco lá me fui enchendo de vontade.

Depois de um longo período de indecisão sobre o que fazer elas acabaram por escolher um jogo de damas. Muito simples de fazer e rápido, e quase sem intervenção minha.

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Para o tabuleiro usamos pano cru, e os quadrados foram feitos com fita cola. Fiz de duas maneiras e acho que o trabalho que dá é o mesmo. A primeira maneira consiste em fazer uma grelha com a fita cola, usamos quadrados com quase 5 cm (a largura da Fita cola), depois pintar e deixar secar, retirar a fita cola e colar novamente por cima das quadriculas já pintadas para pintar o que falta da grelha. Este método obriga a fazer a pintura em duas vezes o que pode ser bom se for uma só criança a fazer para não se aborrecer tão depressa.

Na segunda maneira cola-se logo a fita cola toda no pano (7 linhas de fita cola) e com uma régua e um X-ato corta-se a fita cola em colunas perpendiculares e com a mesma largura. Nesta versão a mãe tem mais trabalho imediato porque tem que retirar quadrado sim quadrado não de fita cola para construir a grelha. Mas tem a grande vantagem de que o tabuleiro fica logo pronto a pintar e depois de seco é só tirar a fita que sobra e cortar a margem. Eu usei uma tesoura em zig-zag para não desfiar, mas podes usar cola branca, já que também a vais usar para as peças.

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Fizemos 4 jogos de damas e elas foram inteiramente responsáveis pela escolha das cores. Os tabuleiros são feitos com 7 colunas e 7 linhas.

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As peças podem ser feitas de muitas maneiras usando materiais que tens por casa. Desde as famosas cápsulas metálicas do café (as plásticas não dão para espalmar!), a rolhas cortadas em rodelas, a tampas de garrafas e garrafões plásticos, caricas… Nós usamos feltro e botões velhos e colamos os botões no feltro com cola branca. Cada jogador tem 12 peças, no total o jogo tem 24 peças de duas cores diferentes. Nós usamos cores diferentes nas peças mas escolhemos sempre botões brancos e botões azuis escuros ou pretos, para manter as peças brancas e pretas.

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Mas ainda faltava uma prenda que não quisemos que fosse o jogo de damas. E se achas que os desenhos das crianças não dão bons presentes estás muito enganada. Um desenho numa moldura ganha logo outro aspecto, e se mudares ligeiramente o material então fica ainda mais especial. Elas desenharam em pano cru, num rectângulo do tamanho da moldura que tinha destinado. Desenharam com canetas próprias para tecido da Giotto, que são fantásticas para estas coisas e que podes usar para outras actividades com elas.

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No fim do desenho pronto podes acrescentar outras decorações como botões, lantejoulas ou outras gracinhas, ou deixar tal como elas o fizeram e emoldurar. E ficas com uma prenda especial.

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As nossas prendas foram postas em cestinhos feitos com caixas de madeira pequenas (dos morangos que comprámos para o doce). Para além destas prendas os nossos cestos tinham ainda bolo de laranja, bolo de coco ou bolinhos de coco e limão, coelhinhos e ovos de chocolate e gomas que fizemos em casa.

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E desta vez foram elas que fizeram a minha Páscoa especial.


Chapéu de bébe

Quem, em pleno século XXI, anda nas andanças das agulhas, das linhas, dos panos e afins sabe que tem um rótulo que roça o ser desocupado e o não ter mais nada de interessante para fazer, um equivalente póas moderno da “dondoca dos bordados”.

Virtualmente conheço muitas pessoas como eu, na vida “real” poucas ou quase nenhuma, o que faz de mim um ser… estranho.

Houve alturas em que isso me fez confusão, mas para mim continua a ser fenomenal ter a capacidade de fazer quando não há feito.

Ora vê. No Carnaval fomos com as miúdas apanhar ar uns dias para fora, como podes imaginar, com as 3 miúdas e mais nós os dois, é cada vez mais difícil manter a organização e não deixar nada para trás! Dessa vez deixamos ficar em casa o gorro da Sofia. E tanta falta que ela fazia…

E houve problema? Não! Não levei o chapéu de casa mas… fiz lá um chapéu! Podia ter sido em lã mas na altura estava a trabalhar em feltro e foi em feltro que o chapéu nasceu!

Foi rápido de fazer e exclusivamente com os materiais que tinha à mão. Nada de máquina de costura nem tecidos ou lãs bonitinhas, a custo zero e ainda me diverti a fazê-lo!

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